A Trindade e o amor na teologia de Ricardo de São Victor
Dezembro 3rd, 2003 / / por Walter Cruz
O texto a seguir é uma reflexão sobre a natureza da Trindade, de autoria de Ricardo Barbosa de Souza, publicada na extinta revista Vinde na edição de Dezembro de 1995. Não pretendo trazer aqui uma discussão profunda e teologia a respeito da Trindade (se você está a procura de coisas assim, um site de apologética, como o icp, seria o melhor pra você), mas sim algo que seja profundo em mudar a nossa espiritualidade.. Espero que gostem e aproveitem. Eu dei uma editada no texto pra ficar de um tamanho bom para ler, se alguém quiser, posso publicar a versão integral mais tarde.
A Trindade, embora ocupe lugar de destaque e importância na doutrina cristã, pouca ou quase nenhuma relevância tem para a doutrina cristã. Para a grande maioria dos cristãos, a Trindade não tem praticamente nada a dizer sobre o dia-a-dia da vida.
(...)
Um dos pensadores da história da igreja, que refletiu e trouxe uma grande contribuição ao desenvolvimento do aspecto relacional da Trindade foi Ricardo de São Victor (? - 1173). Ele explorou o amor humano através de uma análise psicológica das relações interpessoais e concluiu que a pessoa é mais humana quando transcede a si mesma em amor por outra pessoa. Fundamentalmente, para ele, a experiência humana de amor tem suas raízes no mistério da Trindade.
Para Ricardo, não há nada mais perfeito do que a caridade (caridade com expressão concreta do amor para com o próximo). Portanto, se Deus possui a plenitude de tudo que é bom e perfeito, ele possui a plenitude da caridade. Se Deus é a perfeição do amor, o homem, sendo criado conforme a imagem de Deus, deve refletir esta perfeição ao máximo possível. Crescer na experiência do amor e da caridade é crescer em direção à imagem de Deus e tornar-se mais unido a ele. É baseado nesta experiência de amor compartilhado que Ricardo conclui que não pode haver uma só pessoa em Deus, pois o exercício do amor exige mais do que uma pessoa. Onde existe apenas uma pessoa, não existe caridade. (...)
(...)Ele se expressa assim: "Temos aprendido que, naquele supremo e totalmente perfeito bem, existe a plenitude e a perfeição de toda a bondade. No entanto, onde existe a plenitude de toda a bondade, não pode faltar caridade. Porque nada é melhor do que a caridade. Contudo, ninguém pode dizer que tem caridade baseado apenas no amor que tem para consigo. Torna-se necessário que o amor seja direcionado para uma outra pessoa para que seja caridade. Por isso, onde não existe a pluralidade de pessoas não pessoas não pode haver caridade. Mas você pode dizer que, mesmo que houvesse uma só pessoa na Divindade, ainda sim ele teria caridade para com a sua criação. De fato, o Senhor tem. Mas certamente ele não poderia expressar a caridade suprema para com a pessoa criada porque, se Ele amasse supremamente alguém que não pudesse ser supremamente amado, a caridade seria imperfeita".
(...) Ao nos criar segundo a sua imagem e semelhança, Deus nos cria para amar e ser amados. Ele afirma que, a partir da Trindade, "não há nada mais glorioso, nada mais magnificiente, do que desejar não ter nada que não possa ser compartilhado". (...)
(...)
A Trindade nos livra do egoísmo e da vida autocentrada para uma experiência de amizade e amor com Deus e o próximo. E, a partir dela, nos encontramos como pessoas, não nas conquistas profissionais e sociais, mas nas relações de afeto e comunhão. O grande desafio da espiritualidade cristã é o de encontrar na Trindade os fundamentos para nossa experiência de amor e amizade.
(...)
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6 comentários
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gostaria de saber também se form possivel no e-mail, qual a sua religião?
Obrigado.
Cristiano, seja bem vindo e volte sempre! Abraço. "
E eu passo a mostrar-vos ainda um caminho sobremodo excelente.
Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como bronze que soa ou como o címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom de profetizar e conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver amor, nada serei.
E ainda que eu distribua todos os meus bens entre os pobres e ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, nada disso me aproveitará.
O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
O amor jamais acaba; mas havendo profecias, desaparecerão; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, passará; porque, em parte, conhecemos e, em parte profetizamos.
......porque agora vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face. Agora, conheço em parte; então, conhecerei como também sou conhecido.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porem o maior destes é o amor.....




