adoração
Novembro 6th, 2003 / / por Walter Cruz
C.S. Lewis, antes de sua conversão, costumava perguntar a si mesmo: "Que Deus vaidoso é esse a exigir sempre que seus súditos o adorem?" Após tornar-se cristão anglicano, Lewis descobriu que não é Deus quem precisa ser adorado. Adorado ou não, Ele continua sendo o mesmo Deus. Nós é que precisamos adorá-Lo. Nós temos essa necessidade interior de prestar culto e de reconhecer o amor e o cuidado de um Ser superior dando sentido à vida e à história.
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1 comentário
Comentário de: João Valente de Miranda Leão Neto [Visitante]
De fato o Livro “O Grande Abismo” é uma obra fundamental de CSL. Mas aqui faltou um detalhe crucial do que este livro quis comunicar. É que no meio cristão, católicos e anglicanos têm uma visão mais correta sobre a vida post mortem do que o chamado lado protestante. Pois os primeiros sabem e pregam a existência de um “lugar” chamado “Purgatório”, o qual CSL chama de “Abismo” com base na parábola do Rico e de Lázaro. Na verdade, trata-se do mundo dos mortos, o que o salmo 23 chama de “Vale da Sombra da Morte”. Vale e abismo são a mesma coisa. Deste abismo, então, as almas podem migrar para os terraços do Paraíso e lá ouvir, da própria escola celestial, verdades que poderão ajudá-las a fugir de seu inferno interior. E não são só as almas que morreram antes do Dilúvio de Noé (como alguns grupos protestantes aceitam), pois o tempo no mundo dos mortos não “corre” como o nosso (daí Pedro dizer que um dia para Deus pode ser mil anos e mil anos um dia, e o Apocalipse 13-8b dizer que o Cordeiro foi morto antes da fundação do mundo). Ora; se isto tudo é verdade, então a morte física não é o fim da esperança de salvação para ninguém. E esta verdade enaltece sobremaneira o poder e a misericórdia de Deus que, por seu infinito amor, desce até aos infernos para fazer apelo de conversão para as almas perdidas [I Pedro 4,5-6]. E o dado “assustador” desta verdade (muito mais assustador do que o tal “Lago de Fogo”) é que o inferno interior, a angústia extrema, é o único inferno onde Deus só pode entrar SE NÓS lhe abrirmos as portas, porque de todas as outras portas Ele tem as chaves, como também o Apocalipse informa (Ap 1,18 = mas a chave do coração só nós temos). E pior, para fugirmos da angústia produzida pelo pecado precisamos “EXERCITAR” nosso coração, desde cedo, a GOSTAR das coisas do Céu, pois é este gostar que possibilitará a permanência da alma no Paraíso. Do contrário, nem Deus poderá obrigá-la a gostar daquilo que não lhe agrada. Este sim, para mim, é o pior de todos os infernos, e foi para falar disso que CSL escreveu “O Grande Abismo” (O abismo da angústia). Aliás, o nome original é “O Grande Divórcio”, e este divórcio não é provocado por infernos de fogo, e sim, pela própria vontade dos pecadores. Logo, não há um “inferno” como os velhos catecismos ensinavam, mas há o inferno terrível do coração humano, construído tão única e exclusivamente pela vontade humana.
02/01/2006 @ 19:15





