Eu não páro nunca.
A única alternativa viável,
O único caminho possível,
A única verdade plausível
Reside na luta nossa
No nosso correr devagar
Devagar para observar
Devagar para respirar
Devagar para chorar
Devagar para celebrar
Eu não páro nunca.
Nada de triste existe que não se esqueça
Alguém insiste e fala ao coração
Tudo de triste existe e não se esquece
Alguém insiste e fere o coração
Nada de novo existe nesse planeta
Que não se fale aqui na mesa de bar
(Milton Nascimento/Fernando Brandt - Saudade dos aviões da Panair)
Ontem, ao ver amigos mostrando suas alianças, eu olhei para o dedo onde anteriormente ficava a minha. Eles diziam que apesar dos poucos dias usando, o dedo já estava marcado. Para minha surpresa, a marca que havia no meu dedo tinha sumido.
Mas marcas profundas existem que não sumirão ao pôr-do-sol. Desenhadas na memória cenas de risos, de cumplicidades, de afagos, de olhares, de trocas, de lágrimas, de vontade de ser feliz, de uma alegria imensa.
Essas marcas não sumirão.
Tem dias em que todos os passos andam pra frente, ainda que eu esteja andando para trás. Os pássaros são deus, e eu faço preces a eles. E toda natureza parece simplesmente alegrar-se unicamente com o fato deu existir, ainda que eu esteja na maior parte do tempo alheio à tudo.
Tem dias em que os passos são para trás, ainda que eu corra ansioso. Os diabos são pássaros e voam ao meu redor me acusando de todas as minhas culpas e me lembrando de todas as minhas tristezas. E toda natureza simplesmente entristece-se e morre um pouco junto comigo.
Tem dias em que a mente olha para o futuro cheio de esperança.
E dias em que a lembrança toma-me de assalto, me fere e me amaldiçoa em silêncio.
Tem dias em que choro sozinho, e dias em que não consigo chorar. Tem dias em que sofro mais. Dias em que sofro menos.
Dias de plena alegria! De pleno tédio.
De profundo silêncio...
Dias de algazarras sem fim...
Dias de deixar a alma doer, e doer, e doer, e doer.
E em meio a tudo isso, a Tua graça me tem sido sempre amiga.
Pouco escrevi aqui esse ano. Não que não tivesse nada a dizer. Faltou-me ânimo. Faltou-me disciplina.
Mas não é tempo de lamentar os erros. Não!
Pulsa dentro de mim toda a esperança, toda a fé possível. Toda a nostalgia, toda a dor. Força e fraqueza. Impetuosidade e covardia. Tudo pulsa dentro de mim.
Tudo mudou e nada mudou. Sou igual, mas diferente. Olho para a estrada que meus pés criaram, e para o caminho que eles criarão. Sorrio para a vida. Rio da vida. A vida brilha pra mim em todos os elementos da natureza, e à seu modo, me saúda.
Recebo o natal com esperança, alegria e dor. Recebam a mim como receberiam o próximo. Recebam esse texto sem sentido como uma pequena confissão, que muito me faz bem fazer. Paz a todos! Boa-vontade!