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Palavras apenas

Zubin Lederbuch
Creative Commons License photo credit: Markus Rödder

Desde cedo, tenho um gosto pela escrita, pelo sentido das palavras, pela lingüística. Um dos meus heróis favoritos é Dr. Ransom, um filólogo. Conheci-o através do livro "Longe do Planeta Silencioso"1, de C. S. Lewis, que encontrei, num sebo em Brasília. O momento em que ele traduz as más intenções de seus raptores para a língua de Malacandra é emocionante.

Há algo divino nas palavras. Isaías 5:20 declara: "Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que põem as trevas por luz, e a luz por trevas, e o amargo por doce, e o doce por amargo!". Trocar o sentido das palavras é algo sério. Ainda segundo a Bíblia, a primeira demonstração da capacidade criativa do homem se deu por meio de palavras - dando nome aos animais na terra.

Gosto de palavras. Gosto dos significados das palavras. Gosto das sonaridades das palavras, mesmo quando não sei seus significados.

João diz que no princípio era a Palavra e a Palavra se fez carne. Assim, creio que Deus está muito próximo dos poetas e daqueles que se divertem com as palavras, sejam eles religiosos ou não.

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1.Segundo o site www.malacandra.co.uk/site1/index.php/Out_of_the_Silent_Planet, o romance foi escrito como um acordo entre C.S. Lewis e J.R. Tolkien, segundo o qual Lewis escreveria uma viagem espacial e Tolkien uma viagem no tempo.

Encontrei esse texto no Google Docs, que eu as vezes uso pra rascunhar e compartilhar previamente com alguem os textos que escrevo aqui. A data do documento lá é de 21 de dezembro de 2006, e aparentemente eu nunca o publiquei aqui. Não está perfeito, nem o revisei muito. Vai como está, enquanto eu ouço 'Nada será como antes', do Milton Nascimento

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Lista de livros

Continuando o meme do Thiago Bonfinho:

  1. Livro de que mais gosta –Discipulado, do Bonhoeffer.
  2. Livro que me influenciou – Um livro que influenciou uma decisão prática na minha vida foi o Homem à procura de si mesmo, do Rollo May. Foi um dos que consolidaram minha decisão de vir para Brasília.
  3. Livro de alguém que conhece – A Antropologia Filosófica de C.S. Lewis, da Gabriele.
  4. Livro que outra pessoa trouxe até você – Eu li o Sétimo na casa de um amigo. Gostei bastante.
  5. Assisti primeiro ao filme – Não consigo lembrar agora.
  6. Primeiro livro sem figurinhas que leu – Também não consigo lembrar. Eu fui muito hardcore desde criança com a leitura, parei de ler livros com figuras muito cedo. Mas tem um livro que eu gosto, do Thomas Merton, Diálogos com o Silêncio: orações e desenhos que eu gosto muito. De repente eu comece a ler livros ilustrados quando envelhecer.
  7. Livro de poesia – Canção de mim mesmo, Whitman.
  8. Livro para se reler – A abolição do homem, C.S. Lewis
  9. Devolve meu dinheiro – Um livro que eu comprei e me desfiz sem dó foi o Compreendendo Kierkegaard, da Vozes. Não consegui ler 10 páginas.
  10. À primeira vista – Não lembro de nenhum agora, mas eu tenho uma certa intuição pra escolha de livros, raramente um livro que eu tenha escolhido a primeira vista foi ruim, e eu já escolhi muita coisa assim.
  11. Gente morta – Conan Doyle e sua criação impagável: Sherlock Holmes
  12. Gente vivaNephilim, Caio Fábio.

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Anarquia e Cristianismo em Português

Ótima notícia, o livro Anarquia e Cristianismo, do Jacques Ellul foi lançado em português, pela Garimpo Editorial, com tradução a partir do original em francês. Mesmo tendo uma versão online disponível desse livro, com uma tradução feita por um voluntário, é sempre prazeroso ter o livro em mãos.

Segue a sinopse, retirado do próprio site da editora:

Ao longo da História, o cristianismo passou a ser identificado com o conservadorismo político e social. Mas nem sempre foi assim. No início, a Igreja Cristã se distinguia da maioria dos outros movimentos de fundamento religioso por sua ousadia e seu inconformismo diante do poder e toda a opressão que ele representava. Por essa razão, o sociólogo, cientista político, professor e teólogo Jacques Ellul defendeu, durante a maior parte de sua vida, uma tese no mínimo polêmica: a de que o cristianismo carrega em si uma predisposição à insubmissão, à dissidência e até mesmo à recusa de todo tipo de hierarquia... incluindo a interna.

Em Anarquia e cristianismo — pela primeira vez publicado por uma editora brasileira a partir do texto original em francês —, Ellul se propõe a corrigir o que entende como uma série de mal-entendidos em relação à fé cristã. Para isso, ele desconstrói conceitos, questiona estruturas, desafia convenções, enfim, vira do avesso todos os lugares-comuns sobre o tema. A publicação deste livro, de teor fortemente iconoclasta, contempla a necessária redescoberta de um dos pensadores mais profícuos dos últimos tempos.

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Nostalgia

A40
Creative Commons License photo credit: weesam2010

As vezes eu queria ser capaz de cristalizar cada memória, cada cheiro, cada som, cada pessoa, cada fato, cada instante da minha vida em algum pedaço da minha memória. Não me é possível. Resta-me a nostalgia de memórias incompletas, cheiros que não se ligam a fotos, sons que não se conseguem assoviar, fatos que não se pode contar com exatidão histórica, momentos que se esvaem como um grão de areia numa ampulheta. Isso também faz parte do ser humano - ser incompleto em suas percepções. Mas sei que um dia isso tudo do qual tenho saudade e nem sei me encontrará. Isso tudo deve sentir minha ausência tanto quanto eu sinto sua presença fragmentada, hoje, aqui.

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