Categoria: Livros

Entre livros e livros

Dia mundial do livro

Hoje, dia 23 de abril, é comemorado o Dia Mundial do Livro. Segundo o texto do blog Os Livros, citado no blog da Mobilização de Leitura, a data foi escolhida, desde 1996 e por decisão da Unesco, "para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge e recebem em troca um livro".

Para homenagear este dia, seguem abaixo as indicações de minhas leituras mais recentes:

Leitura em abril

O livro que estou lendo atualmente é No divã de Deus, de Caio Fábio. É a reedição do que havia sido lançado em 3 volumes e contém reflexões, com base nos livros dos Salmos, e considerações sobre problemas psicológicos. Altamente recomendável!

Minhas leituras em março

No mês de março, li dois livros do mesmo autor, C.S. Lewis (um dos meus favoritos, aliás!)

Em A abolição do homem, Lewis trata da lei natural e de como a educação em seu tempo estava começando a trabalhar para minar as balizas básicas da moralidade e implementar uma 'nova' moralidade totalmente subjetiva, moldada pelos critérios do próprio homem (que no processo deixaria de ser humano). É um livro curto (95 páginas) e complexo, além de muito belo. O último capítulo me causou fortes impressões, ao delinear a perspectiva de como seria esse novo homem que tivesse abandonado a lei natural e implementado uma nova moral para si.

Perelandra, comecei a ler no computador, quase sem querer: minha intenção era dar uma passada de olhos pelo livro, e quando percebi estava já na página 50. Então resolvi levar a cabo a leitura. A única versão disponível é em português de Portugal, sendo possível achá-lo em algumas livrarias, por encomenda, ou facilmente em alguma edição online, em PDF, que foi como eu o li. Nesse segundo volume da trilogia espacial de C.S. Lewis, o herói, Elwin Ranson, vai ao planeta Vênus (Perelandra), onde se vê na missão de ajudar a Eva do planeta a evitar os ataques do tentador e assim tentar evitar a queda naquele novo Paraíso. Uma leitura muito divertida e bonita, espero que logo lancem uma edição em terras brasileiras mesmo.

Você pode ler uma resenha interessante sobre a abolição do homem no Livreiro Assassino.

Livros só mudam pessoas

Um blog (ou movimento) cujo objetivo é incentivar a leitura de livros. A iniciativa foi de Sérgio Pavarini e conta com o apoio de diversas editoras, que sorteiam mensalmente entre os participantes alguns livros. No blog, os participantes postam trechos de livros e outros diversos textos relativos à leitura e literatura. Vale a pena conferir!

Skoob

Para encerrar, sugiro uma visita ao site skoob. (Books, de trás para frente). O site nos permite cadastrar os livros que lemos, que desejamos comprar ou que pretende ler. Traz também conceitos de rede social: amigos, mensagens entre os participantes. Muito útil para catalogar as suas leituras!

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Serviço Público: Somos Um, de Jorge Camargo.

Link: http://www.jorgecamargo.com.br/blog/somos-um/

Atualização em 07 de Maio de 2009: O estoque do CD na loja da EcoTVBrasil já foi normalizado. Além disso, ontem, pelo link do JáCotei (que por alguma razão registrou o autor como Paul Anderson-Walsh, e não Jorge Camargo) , dscobri que seria possível encontrá-lo também na Livraria Cultura, Saraiva e Siciliano, embora no momento, das três, a única que tenha o produto em estoque seja a Livraria Cultura.

Segundo o site do músico:

"Somos Um é uma combinação de fragmentos biográficos, reminiscências, poesia e música, tudo ocupando um mesmo espaço e falando uma mesma língua. Jorge Camargo, após mais de duas décadas atuando como músico e compositor assina um texto leve e envolvente, repleto de sentimento e emoção onde revela um pouco da vida e obra de grandes personagens da filosofia, da literatura e da teologia percorrendo uma trajetória de quase dois mil anos e estabelecendo, a partir dessas pessoas, paralelos com sua própria vida. E isso recheado com as letras de canções inéditas, inspiradas nesses personagens."

Desde que soube do projeto, quando o Jorge esteve aqui no Caminho em Brasília, me interessei por adquiri-lo. Na época, o projeto em sua fase de finalização. Há muito tempo o produto encontra-se indisponível na loja EcoTVBrasil. Entrando em contato com eles hoje, para saber o porquê da indispobinilidade por tanto tempo, recebi a seguinte triste resposta:

Prezado Walter, Infelizmente nossa tiragem sofreu um acidente na finalização. Os livros estavam todos impressos, houve uma grande chuva em São Paulo e não haviam tido o cuidado de protege-los do inesperado na propria gráfica. Conclusão; perdemos tudo. Apesar de não termos a data definida, em breve teremos o material no estoque. Aguarde

Uma pena que isso tenha acontecido! Mas como aperitivo, existem algumas músicas disponíveis para audição no site do compositor e no youtube. Na expectativa da nova remessa!

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Balanço Cultural: Fevereiro

Quatro livros bem lidos e aproveitados: Medo Líquido, do sociólogo Zygmunt Bauman, trata dos medos presentes em nossa sociedade. É um livro muito interessante, até fiz uma citação dele aqui no site. O livro traz à tona os medos conscientes e inconscientes de nossa sociedade e nos ajuda a refletir quais desses medos são reais e o que não se sustenta sob análise mais aprofundada. Uma leitura que eu recomendo!

Depois dele, veio Teologia da Alegria, de John Piper. É um livro bem instigante: segundo o autor, a idéia de servimos a Deus de forma totalmente desinteressada não encontra respaldo no cristianismo, e não é egoísta amar a Deus visando aquele tipo mais profundo de alegria. É uma idéia que incomoda?

Logo a seguir, li Cristo e a Criatividade, de Michael Card, autor pelo qual recentemente nutri grande curiosidade (talvez inconscientemente estimulado pelo fato de o livro ter sido traduzido por Jorge Camargo). No capítulo dez, ele pede a alguns amigos artistas que escrevam cartas aos leitores do livro - para mim, a primeira carta de Harold Best é um dos melhores trechos.

Encerrei o mês com o leve Improvisando Soluções, que é um livro pretensamente de auto-ajuda baseado nas histórias de diversos músicos de jazz. Mas a tal da auto-ajuda propriamente dita fica bem condensada nos dois últimos capítulos, o restante do livro contém mini-biografias e relatos de diversas histórias com músicos de jazz, que são muito divertidas de se ler. Se você gostar de jazz e de música, não se deixe vencer pelo preconceito de o livro estar na prateleira de auto-ajuda.

Filmes

Nos cinemas, duas vezes Kate Winslet, em Foi apenas um sonho e O Leitor, dois filmes extraordinários, em que a atuação dessa atriz se destaca. Ganhou o Oscar merecidamente. Austrália é comprido demais, teria sido 'bonzinho' se tivesse acabado uns 40 minutos antes. Operação Valquíria é bom, mesmo sabendo que aquilo tudo vai dar errado, fiquei torcendo pelo sucesso da operação. Dúvida, com Philip Seymour Hoffman e Meryl Streep, é uma história comovente e nos faz refletir sobre nossos preconceitos e sobre como podemos conceber idéias e tratar nossa própria criação como sinônimo da realidade. Vale a pena assistir.

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Ortodoxia

Esse post está pronto desde o dia 25 de outubro, mas por alguma razão misteriosa não tinha sido publicado. Será meu último post desse ano! Um bom ano a todos, tudo de bom sempre!

25 de Outubro de 2008 por Walter Cruz photo of 'Ortodoxia'
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Comemorando os 100 anos de lançamento do livro Ortodoxia, de Gilbert Keith Chesterton, a editora Mundo Cristão lançou uma nova edição do livro. Com tradução de Almiro Pisetta, e lançado a um preço razoavelmente popular (cerca de 20 reais), é uma excelente oportunidade para que esse autor seja (re)apresentado à geração atual.

A propósito, não é a primeira vez que leio Ortodoxia. Uns três anos atrás, li a versão da Ltr Editora. E sempre é uma aventura e um prazer mergulhar no fino humor desse jornalista, mais conhecido no Brasil pela série Padre Brown, o padre detevive protagonista de seus romances policiais. Seu livro The Everlasting Man foi de grande influência na conversão de C.S. Lewis, que escreveu numa carta certa vez: "a melhor defesa popular da posição cristã plena que eu conheço é o The Everlasting Man, de G. K. Chesterton". Uma prova de sua perspicácia está no seguinte fato: quando o jornal London Times pediu a alguns escritores que respondessem à pergunta “O que há de errado com o mundo?”, Chesterton enviou a seguinte resposta:
Prezados Senhores:
Eu.
Atenciosamente,
G. K. Chesterton

Ortodoxia, segundo ele próprio, é sua 'autobriografia deconjuntada'. É sua defesa daquilo que ele chama de teologia cristã central, que para ele estava resumida no Credo dos Apóstolos. Segundo Chesterton, a real ortodoxia não é o equilíbrio amorfo entre duas opniões contrárias - é acatar a verdade junto com a contradição, o paradoxo. Não é lançar-se num racionalismo louco, mas dar espaço correto à imaginação também. É reconhecer que o mundo não é simples, que existem ambiguidades e que essas ambiguidades, segundo ele, são apenas entendidas como paradoxo, à luz do cristianismo. Não basta amar o mundo, é preciso odiar o estado das coisas como são para se esforçar em mudá-lo. E mudança por mudança não é a solução, é preciso amor para mudar também. Esse é um dos muitos paradoxos sugeridos pelo livro.

Bernard Shaw e H. G. Wells, dois escritores dos quais Chesterton discordava abertamente, sempre eram convidados a escrever no semanário que ele editava, o G.K.'s Weekly. A ortodoxia para Chesterton e na vida de Chesterton não é beligerante, é acolhedora e bem humorada. Talvez, nos dias de hoje, o que mais esteja em falta entre nós cristãos seja essa genuína ortodoxia.

O cristianismo veio ao mundo acima de tudo para afirmar com veemência que o homem não só não devia olhar para dentro, mas devia olhar para fora, contemplar com assombro e entusiasmo uma companhia divina e um capitão divino. O único prazer de ser cristão era que o homem não ficava sozinho com a Luz Interior, mas definitivamente reconhecia uma luz exterior, bela como o sol, clara como a lua, formidável como um exército com bandeiras.

Eu sou o homem que com a máxima ousadia descobriu o que já fora descoberto antes.(...)Forcei minha voz com penoso exagero juvenil ao proferir minhas verdades. E fui punido da maneira mais adequada e engraçada, pois mantive as verdades: mas descobri, não que não eram verdades, mas simplesmente que não eram minhas. Quando imaginei que estava sozinho encontrei-me de fato na ridícula posição de receber o apoio de toda a cristandade. Deus me perdoe, mas talvez eu tenha tentado ser original; mas só consegui inventar por minha própria iniciativa uma cópia inferior das tradições existentes da religião civilizada. O navegador pensou ser o primeiro a descobrir a Inglaterra; eu julguei ser o primeiro a descobrir a Europa. Tentei fundar uma heresia só minha; e quando lhe dei o último acabamento descobri que era a ortodoxia.

http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=11403
http://en.wikipedia.org/wiki/G._K._Chesterton
http://pt.wikipedia.org/wiki/G._K._Chesterton

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