Walter Cruz
29/01/2007

Contracultura ou Subcultura?

Se o U2 freqüentasse uma igreja nos Estados Unidos ou a 100 quilômetros ao norte de Dublin [uma região predominantemente protestante], na Irlanda do Norte, seria fácil ter sido sugado por uma subcultura cristã. Muitas bandas em situação semelhante são desencorajadas a tocar em espaços seculares, como bares ou clubes, porque cristãos não deveriam estar em lugares assim. A teoria é a de que você não deveria levar Jesus em lugares freqüentemente chamados de “antros de iniqüidade”. A única razão aceitável para freqüentar estes lugares seria a de ir para evangelizar os perdidos que vão ali.

Como conseqüência desta mentalidade, muitos músicos talentosos são introduzidos no cenário gospel, indo de igreja em igreja,cantando canções previsíveis, de conteúdo limitado. A platéia, que é quase que exclusivamente composta por cristãos e que em sua maioria já aceitou as crenças pregadas do palco, acaba não tirando proveito dos clichês. Uma indústria cristã segura, de gueto, é criada com pop stars e gravadoras. Há uma revista, a “Contemporary Christian Music - CCM”, que se tornou o selo de toda a indústria - uma indústria sempre exposta ao risco de acabar se tornando culturalmente irrelevante. Quando Jesus disse a seus discípulos que eles eram a luz do mundo (Mateus 5.14), como queria que eles brilhassem? Como raios de luz que fazem a luz brilhar cegamente sobre si mesma, ou como fachos de luz de vidas alternativas e radicais que cruzam a escuridão? Você culpa a escuridão por ser escura, ou a luz por não brilhar?

(Walk On - A jornada espiritual do U2, de Steve Stockman)

Steve Stockman é ministro presbiteriano na Irlanda, onde trabalha na capelania de Queen's University, em Belfast. Conferencista, possui um programa de rádio na BBC Radio Ulster. Tem utilizado o trabalho da banda U2 em seus semões e palestras por mais de 20 anos.

Você pode ver mais sobre o livro em http://www.w4editora.com.br/walkon.html

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3 comentários

# Nina Email on 30/01/2007 at 23:48
É uma pena q ainda seja tão forte no meio principalmente "evangélico" a mentalidade pobre, equivocada e presunçosa do q seria "servir a Deus". Pra falar a verdade, é cansativo pensar nas baboseiras q muitos defendem... Chamem-me do q quiserem: de "desviada", de "herege"... Enquanto isso, sigo em frente com o coração e alma tranqüilos, convicta de q meu objetivo é viver o q penso, e não simplesmente pensar naquilo q nem dou conta de viver. beijos,
# William Raphael Email on 08/08/2007 at 15:12
Ótimo comentário!
São não consegui compreender muito bem o título. Qual foi a analogia utilizada?
Abraços!
# Walter Cruz Email on 08/08/2007 at 15:19
Dei uma pesquisada na wikipédia pra te responder, e descobri que realmente existiu um movimento chamado Contracultura (http://pt.wikipedia.org/wiki/Contracultura).

A idéia do título Willian, e constatar que aqueles que se declaram evangélicos não conseguem ser uma cultura que se contrapõe a uma sociedade, conseguem no máximo ser um gueto dentro dela. Capiche?

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