Dois irmãos
Abril 28th, 2009 / / por Walter Cruz
O homem sentou-se no que havia sido um dia uma árvore, hoje era apenas um toco sem vida. Pensou naquele resto de vida sobre a qual estava sentado e divisou claramente sua própria natureza: o homem, para criar coisas, acaba sempre trilhando caminhos de morte. Olhou para a sua própria história até aquele momento e percebeu em si o mesmo padrão. Mesmo sendo um homem simples (um homem rude até, é o que muitos diriam), conseguia ver em seus próprios atos muitas ambiguidades. Nem sempre o bem que fez era carregado da bondade que ele supunha, até mesmo em seus melhores momentos, sua bondade enchia-se de uma característica rançosa, que hoje ele conseguia ver que estava lá, mas que no passado estivera oculta nas entrelinhas que ele não percebera. Mas não se desesperançou de todo: sabia que havia feito o seu melhor e sentia em seu íntimo que tudo ficaria bem.
Perto dali, encontrava-se parado um ser extradimensional. Refletia também. Pensava em como os humanos, que conheciam o bem e o mal, encontravam forças em meio as mais profundas decepções e tragédias da sua curta existência. Porque ele, que nunca havia provado do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, conhecia apenas o bem dentro de si mesmo, e o mal que ele via era apenas a antítese do bem que estava dentro dele. Mas os seres humanos conheciam o bem e o mal como contradição dentro deles mesmos. E mesmo contra a sua própria vontade, muitos escolhiam o bem. Lembrou-se de tantas mortes de gente de bem em que esteve junto, como um agente invisível. Gostava de se fazer sentir sem ser visto. Apreciava o fato de fazer o bem sem ser percebido. Se intrigava com o amor do seu Criador por aqueles seres nascidos do barro. E ainda assim, amava-os também.
E, naquele momento, sem que um pudesse penetrar a dimensão do outro, fizeram-se irmãos.
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8 comentários
@JoseHehhe, eu não sei exatamente de onde surgiu, mas penso que seria de um cruzamento de Nephilim e O grande abismo
gostei muito do texto. e da dica do livro "medo líquido" mais abaixo.
abraços.
Uma bela verdade. Quando falamos do relativismo estamos somente dizendo que bom é o que concorda comigo, o que discorda é consequentemente o ilógico e insano...
O melhor caminho é aquele por onde teu coração
é presente, por onde teus pés caminham.
O teu caminho torna-se sagrado pelo simples fato
de estares inserido nele.
Nele estão todos os teus humores, tuas vontades,
teus sonhos, tuas alegrias, tuas dores.
Questões já assumidas, outras ainda por trabalhar
e outras tantas já esquecidas em algum lugar do teu ser...
Nele tens a capacidade de girar a roda quando desejares,
escolhendo outros rumos, outras coisas.
Já pensaste quantos espaços dentro de ti
estão à espera dos teus pincéis,
das tuas tintas, da tua criação?
Já sentiste que tens todos os meios para te lançares
naquilo que o teu coração tanto anseia?
Seja um perdão, um pouco de silêncio,
um pouco mais de compreensão, paciência, discernimento, alegria...
Muitas vezes, fechas os olhos para esta realidade,
entregando-te nas mãos de outros para que te cuidem
e te mostrem o caminho pelo qual deves seguir.
Culpas a vida por sentir-te excluído, esquecido,
por não seres agraciado...
Quem pode, realmente. fazer algo por ti,
se tudo depende da tua vontade, do teu querer?
Não há remédio...
Tens que arregaçar as mangas,
sacudir a poeira dos teus pés e prosseguir.
Prosseguir nem que seja no escuro,
sem saber ao certo para onde estás indo...
O importante é não desistires, não estagnares.
Mesmo nos momentos onde te sentes perdido,
completamente sem direção, há algo que trabalha em ti
e por ti de uma forma constante.
Lá, por trás das inúmeras sombras, medos
e decepções, algo ilumina...
Algo aprende, algo organiza...
E então, num belo dia, acordas sentindo que
a tempestade passou, que uma leveza encerra
o teu coração num doce balanço...
É... A vida prossegue,
mesmo quando tendes a acreditar
que as tuas forças ficaram lá trás.
Abençoa-te, revigora teu caminho,
pois ele te pertence
e está, definitivamente, sob os teus cuidados.
Não há “outro” para cuidar da tua jornada.
Somente tu podes percorrê-la e vivenciá-la.
Este é o pão de cada dia.
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