Fora ficam os covardes e os mentirosos
Janeiro 7th, 2009 / / por Walter Cruz
"Mas os covardes, os incrédulos, os depravados, os assassinos, os que cometem imoralidade sexual, os que praticam feitiçaria, os idólatras e todos os mentirosos — o lugar deles será no lago de fogo que arde com enxofre. Esta é a segunda morte." (Apocalipse 21:8 NVI)
A maioria dos evangélicos ficaria extremamente ofendida em ser incluída em qualquer uma dessas categorias. Não somos idólatras, não praticamos feitiçaria, não mentimos, não matamos, somos corajosos e com certeza não somos depravados. Será?
Entre nós, muitas vezes é comum dizer: "Eu tomei essa decisão porque Deus disse pra fazer isso" ou "Eu deixei de fazer isso porque Deus quis". O curioso é que, às vezes, Deus 'manda' fazer na segunda-feira, mas 'manda' desfazer na terça. O duro nisso tudo é ver pessoas atribuírem a Deus os seus próprios desejos e vontades, porque não têm coragem o suficiente para dizer "Fi-lo porque qui-lo". E, na falta de coragem de assumir nossas próprias decisões, Deus vira mera desculpa, quase padrão para nossas decisões, que muitas vezes nada têm a ver com Ele.
A covardia muitas vezes se faz presente nos shows ditos evangelísticos. Como em muitos meios, música se tornou uma neurose gospel e, como para muitos, música não pode ser outra coisa senão adoração, adiciona-se o adjetivo 'evangelístico' como forma de justificar nossas incoerências. Não se tem coragem de admitir que se quer estar ali para curtir o som, os artistas, as performances, o clima. Porque tudo isso foi tornado profano nas mentes, mas muitas vezes o coração não concorda, o adjetivo evangelístico suaviza e relativiza as coisas.
Não me entendam mal: não estou dizendo que Deus não nos orienta em nossas decisões - até mesmo porque essa afirmação seria incoerente com a minha crença - ou que seja impossível haver shows evangelísticos. Se tem uma coisa a respeito da qual os evangelhos são claros é quanto à ambiguidade do homem, e tudo isso nos perseguirá enquanto vivermos nesta terra. O que eu tenho tentado praticar para mim, e acho que seria muito saudável para todos, é dar o nome correto aos bois.
Tenhamos coragem de admitir nossas vontades, nossas falhas, nossos desejos. Nossa autonomia para escolher. Sejamos honestos conosco e com o outro. Sem o medo de 'parecermos' imperfeitos. Até mesmo porque é o que já somos, independentemente do que façamos ou não sob a orientação divina.
"Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram perplexos e perguntaram: 'Neste caso, quem pode ser salvo?' Jesus olhou para eles e respondeu: 'Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis'." (Mateus 19:25, 26 NVI)
Esse texto contou com um tempero especial de Aline Menezes.
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7 comentários
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E o incrível é que ele vale não apenas para o Cristianismo.
Muito do que foi dito aqui vale para o Judaísmo, para o Islamismo e até mesmo para religiosos de doutrinas menos tradicionais.
É claro que não é tão óbvio quando olhamos para outras religiões, pois é um contexto diferente, mas a base do que foi dito está lá.
Daí acho que seja possível concluir que os os problemas aqui apontados não são evangélicos, mas sim humanos, independentes de crença religiosos. Mais do que isso: talvez os evangélicos sejam mais mundanos do que se imaginam.
[]'s
Cacilhas, La Batalema
C. S. Lewis deu uma lição rápida sobre esse assunto, dizendo:
“Há dois tipos de pessoas: as que em submissão e amor, dizem a Deus ‘Seja feita a Tua vontade’, e aquelas a quem o próprio Deus diz: ‘seja feita a sua vontade’. [....] Sem essa auto-escolha não haveria inferno ."
Abraço.
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