Walter Cruz
09/06/2006

Não vimos os ipês

Não é mais notícia que manifestantes invadiram a Câmara dos Deputados, num ato violento, porém, muito bem planejado (como ficou provado logo depois) e que eu nunca tinha visto igual.

Aqui em Brasília, é comum acontecer protestos e passeatas. Quem trabalha na Esplanada dos Ministérios convive com isso (e com o trânsito causado) praticamente toda semana (e às vezes, mais de uma vez por semana). Pessoas de todo o Brasil - agricultores, representantes de certos setores da indústria (como a dos calçados) fazem protestos aqui, constantemente. Fora o fato de ocuparem as ruas e causar um pouco de engarrafamento, isso é tudo o que acontece.

Porém, não foi o que se viu na terça-feira, dia 6. Os manifestantes do MLST entraram, literalmente, chutando o pau da barraca (e a barraca, as esculturas, os quadros, os terminais de auto-atendimento, e o mais grave, pessoas).

À noite, eu, que ainda não sabia exatamente dos acontecimentos, vi os ônibus da polícia, levando-os presos, às centenas.

Há algum tempo moro aqui e, de certa forma, esta metrópole meio desajeitada já é minha cidade. Uma pena que não veicularam na televisão os ipês que começam a ficar floridos por aqui nesta época do ano. Uma vergonha que pessoas façam esse tipo de barbárie, em pleno Congresso.

Mas, quem se importa? Hoje, começa a copa, as ruas estão pintadas de verde e amarelo, as ruas enfeitadas com bandeirinhas... E a vida continua.

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2 comentários

# Nina on 09/06/2006 at 17:40
um tom poético, em meio a dias não muito poéticos assim... e a vida, sim, ela continua. inté!
# ricardo on 11/06/2006 at 01:25
em frente de casa tinha um ipê, e era amarelo.
aliás, o bairro responde pelo nome jardim ipê.
muitos anos depois - nasci aqui há 37 anos completados dia 8 passado - ficaram poucos ipês.
quase um em cada rua do bairro.
remanescentes de uma época que se foi.
testemunhas do que temos hoje,
e,
talvez,
remanescentes de tantas outras que virão quando eu não puder mais contempla-los com a minha nostalgia desatenta...

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