Eu não páro nunca.
A única alternativa viável,
O único caminho possível,
A única verdade plausível
Reside na luta nossa
No nosso correr devagar
Devagar para observar
Devagar para respirar
Devagar para chorar
Devagar para celebrar
Eu não páro nunca.
Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia por caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e
assim quero que possa ser sempre —
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.
(Alberto Caeiro)
"Tu contas as minhas vagueações; põe as minhas lágrimas no teu odre. Não estão elas no teu livro?"
Na primeira noite eles se aproximaram
E roubaram uma flor
Do nosso jardim...
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem: Pisam as flores,
Matam nosso cão...
E não dizemos nada.
Até que um dia
O mais frágil dentre deles
Entra sozinho em nossa casa,
Rouba-nos a luz e,
Conhecendo nosso medo,
Arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
Maiakovski