Prefácio de Cartas do Inferno
Abril 23rd, 2009 / / por Walter Cruz
Em dois livros do Caio Fábio (Nephilim e o Enigma da graça), ele cita um trecho das Cartas de um diabo a seu aprendiz que não consta da edição mais recente disponível hoje, a da editora Marins Fontes. É um prefácio que o próprio C.S. Lewis escreveu, e que deve constou de outras edições (me parece que na edição da Edições Loyola, embora essa não tivesse o texto 'Fitafuso propõ um brinde'. Penso que essa introdução contém reflexões úteis. Segue:
Prefácio Cartas do Inferno
Foi durante a Segunda Guerra Mundial que as Cartas do Inferno apareceram em colunas do Guardian (agora extinto). Espero que elas não tenham apressado a sua morte. Mas, com certeza, fizeram-no perder dentre seus leitores, pelo menos um: determinado clérigo do interior teve oportunidade de escrever ao redator cancelando sua assinatura sob a alegação de que “muitos dos conselhos veiculados por aquelas cartas lhe pareciam não somente errados, mas até mesmo diabólicos”. Entretanto, em geral elas alcançaram tal receptividade que o autor jamais sonhara que chegaria a tanto. As críticas literárias mostraram-se ora inchadas por aquela espécie de ira que demonstra ao escritor de que o seu alvo teria sido, de fato, atingido. A procura do livro foi, desde o início, prodigiosa e assim tem continuado de modo crescente. Na realidade, a venda nem sempre significa o que os autores esperam. Se o leitor pretender avaliar o número dos que lêem a Bíblia pelo número de Bíblias que são vendidas, certamente incorrerá em grande erro. As Cartas do Inferno, dentro de seus limites, estão expostas à mesma sorte de ambigüidade. É livro do tipo que se costuma oferecer a afilhados, do tipo que costuma ser lido em voz alta por ocasião dos retiros. E até mesmo, como já observei com um riso algo forçado, daquele tipo de livros que são deixados nos quartos de hóspedes, para que ali permaneçam sem qualquer manuseio. Por vezes, tais livros são comprados por motivos ainda menos plausíveis. Certa senhora conhecida do autor descobriu que a bela atendente que lhe enchia bolsas de água quente no hospital, havia lido As Cartas do inferno. Foi-lhe dado também saber o porquê: A senhora sabe, disse a moça, fomos advertidas de que nas entrevistas, depois de serem respondidas as perguntas relacionadas com assuntos reais e técnicos, a diretoria e outros às vezes fazem perguntas sobre nossos interesses de modo geral...Nesse caso, a melhor coisa é respondermos que gostamos de ler. Assim sendo, recebemos uma lista de cerca de dez livros de leitura mais ou menos agradável, com a recomendação de que deveríamos ler pelo menos um deles. E você escolheu as Cartas do Inferno? Bem, de fato o escolhi, pois era o que tinha menos páginas. Ainda, depois de descontarmos essas ninharias, o livro conseguiu leitores autênticos em número suficiente para que valha a pena ao autor responder a algumas perguntas que tem surgido em várias mentes. A mais comum delas é se eu admito mesmo a existência do Diabo. Ora, se por Diabo o inquiridor queria dizer a existência de um poder oposto a Deus e, como Deus, auto-existente desde a eternidade, a resposta é sem dúvida, não! Nenhum ser não-criado existe alem de Deus. Deus não tem nenhum ente que lhe seja oposto. Nenhum ser poderia jamais alcançar uma tão “perfeita maldade” que se opusesse à perfeita bondade de Deus. Quando, pois, se tirasse a esse ser oposto todas as espécies de coisas boas: a inteligência, a vontade, a memória, a energia e a existência própria, nada mais lhe restaria.
A pergunta mais cabível é: Se eu admito a existência de diabos. Admito-a, sim. Isto quer dizer o seguinte: Creio na existência de anjos e admito que alguns destes, pelo abuso do livre arbítrio, tornaram-se inimigos de Deus e, por decorrência desse fato, também são nossos inimigos. A tais anjos podemos chamar diabos. Não diferem, quanto à essência, dos bons anjos, mas a natureza deles é depravada. Diabo opõe-se a anjo no sentido em que dizemos que homem mau é o oposto a homem bom. Satanás, o líder ou ditador dos diabos, não é ente oposto a Deus e, sim ao arcanjo Miguel. Assim admito, não como se tal coisa constituísse uma parte essencial de meu credo, mas no sentido de que é uma de minhas opiniões. Minha religião não cairia em ruínas caso fosse demonstrada a falsidade desta opinião. Até que seja demonstrada tal falsidade - é difícil serem arranjadas provas de fatos negativos - prefiro manter minha opinião. Tenho sempre para mim que ela concorre para explicar muitos fatos. Está em consonância com o sentido claro das Escrituras, com a tradição do Cristianismo e com o modo de crer da maioria dos homens, através dos tempos. Alem do mais, esta opinião não colide com coisa alguma que qualquer das ciências tenha demonstrado como verdadeira. Poderia parecer desnecessário (mas não o é) acrescentar que a crença na existência dos anjos, tanto bons como os maus, não significa admitir a forma de sua representação, quer na arte, quer na literatura. Os diabos são retratados com asas de morcego e os anjos bons com asas de pássaro, não porque alguém afirme que a depravação moral haveria de transformar penas em membranas, mas porque a maioria dos homens gosta mais dos pássaros que dos morcegos. As asas (as quais nem todos tem) lhes são atribuídas para sugerir a rapidez de energia intelectual sem impedimento algum. A forma humana lhes é atribuída pelo fato de que o homem é a única criatura racional que conhecemos. As criaturas mais elevadas do que nós na ordem natural, sejam elas incorpóreas, ou sejam dotadas de algum tipo de corpo animado, inacessível à nossa experiência, tem de ser representadas simbolicamente - ou não seriam jamais representadas.
Tais formas não são só simbólicas, mas sempre foram tidas como simbólicas por todos os pensadores. Os gregos jamais admitiram que os deuses fossem realmente tal como seus escultores os representavam, dotados da bela compleição humana. Consoante a poesia grega, quando um deus deseja “aparecer” a um mortal qualquer, assume temporariamente a forma de um homem. A Teologia Cristã, quase sempre tem explicado os “aparecimentos” angélicos desta maneira. “Somente os ignorantes” dizia Dionísio no V século, “sonham que os seres espirituais são realmente como homens alados”. Nas artes plásticas, essas representações simbólicas vem se degenerando paulatinamente. Os anjos de Fra Angélico estampam nas faces e gestos a paz e autoridade celestiais. Mais tarde, surgem os anjinhos de Raphael, nus e rechonchudos. Finalmente, surgem os anjos meigos, delgados e delicados da arte do século XIX, anjos de compleição tão feminina que só não parecem sensuais por causa de sua insipidez. São como eunucas frígidas, usadas para o serviço no Paraíso. Esses símbolos (todos eles) são perniciosos. Nas Escrituras, as visitações angélicas são sempre alarmantes e assim se apresentavam: “- Não temas”. O anjo da era vitoriana parece dizer com simplicidade: “- Estou aqui” ou “- Olá, gente”. Os símbolos literários são ainda mais nocivos por não serem tão facilmente reconhecidos como sendo simbólicos. Os empregados por Dante são os melhores, mas em contrapartida, ficamos horrorizados com seus anjos. Seus diabos, como acertadamente observou o Ruskin, por sua ferocidade, despudor e rebeldia são muito mais semelhantes àquilo que na realidade deveriam ser do que na imaginação de Milton. Os demônios pensados por Milton, por causa da majestade e elevação poética que os adorna, tem causado grandes males (aliás, seus anjos devem demasiado a Homero e a Raphael). Entretanto, a imagem mais perniciosa de todas nos é dada através do Mefistófeles de Goethe. É Fausto, e não Mefistófeles, quem mostra verdadeiramente o egocentrismo impiedoso insano e feroz concentrado em si mesmo, que é a própria característica do Inferno. Mefistófeles, por ser caracterizado como um espirituoso, civilizado, sagaz e facilmente adaptável, tem colaborado para que se alimente a falsa idéia de que o mal proporciona (de alguma maneira) a liberdade, quando já se tornou patente que o que ocorre é justamente o inverso. Os homens conseguem evitar a prática de erros cometidos por alguém importante; fiz o possível para que meu simbolismo não caísse no erro de Goethe, pelo menos, porque trabalhar com humorismo exige certo sentido de proporção, alem da capacidade de alguém contemplar-se a si mesmo como se estivesse olhando pelos olhos de outra pessoa externa. Podemos responsabilizar qualquer ser que haja pecado pelo orgulho por um oceano de culpas, mas não por esta. Chesterton disse que Satanás caiu pelo efeito da Força da Gravidade. Podemos imaginar o Inferno como sendo uma situação em que todos estão preocupados com conceitos como dignidade e progresso pelos próprios esforços, onde todos se sentem ofendidos, e se debatem tomados por paixões fatais como a inveja, a vaidade e o ressentimento. E estes são apenas alguns dos elementos. Admito que prefiro morcegos do que burocratas. Vivo nesta época de grandes e “brilhantes” administradores. Os maiores males já não acontecem nos perversos “redutos criminosos”, que Dickens tanto apreciava descrever. Nem sequer nos hediondos campos de concentração. Nestes campos, apenas temos visão dos resultados de outros males que foram praticados antes, causando estes mesmos campos. A verdade, porem, é que os maiores males e crimes são criados, arquitetados e executados em escritórios bem limpos, atapetados, refrigerados e bem iluminados por homens de colarinho branco, unhas bem cuidadas; estão sempre bem barbeados e jamais precisam elevar seu tom de voz.
Por causa disso, os símbolos que eu uso para falar do Inferno se originam da burocracia de um estado onde a polícia domina ou do ambiente característico de escritórios de certos estabelecimentos comerciais terrivelmente imundos. Acho bem mais concreto e sugestivo. Milton diz que “diabo maldito com diabo maldito mantém sólida concordância”. Tudo bem, mas como? Certamente não é pelos laços da amizade ou fraternidade verdadeiras, pois qualquer ser que possa amar ainda não é um diabo. Mais uma vez, creio que o Simbolismo que usei pareceu útil, pois me permitiu, por comparações terrenas fazer uma boa idéia de outra sociedade que só se mantém por causa do medo e da ambição. Superficialmente, as maneiras são normalmente delicadas, pois um tratamento rude para com seu superior seria suicídio; e quando um superior falasse com um subordinado, se o fizesse com rispidez ou rudeza, isto faria com que os mesmos subordinados ficassem prevenidos antes que o chefe estivesse pronto para dar a “facada nas costas”. Com efeito, “cobra come cobra” é o principio de toda a Organização Infernal. Todos desejam o descrédito, a derrota e a ruína de todos os outros. Em resumo, todos se tornam especialistas na propagação de falsidade e traição. As boas maneiras, as expressões de cortesia e os “elogios formais” que trocam entre si pelos “inestimáveis serviços prestados” são apenas uma casca de todas estas coisas. De vez em quando, esta casca racha, e então aparece o caldo fervente de seus ódios de um pelo outro. O simbolismo também me permitiu livrar a mente da fantasia absurda de se admitir que os demônios estão empenhados na busca desinteressada de algo a que damos o nome de Mal (com letra maiúscula,mesmo). Em meu simbolismo, não haveria lugar para espíritos tão desfigurados em seus objetivos. Os maus anjos (à semelhança dos maus homens) têm espírito puramente prático. Eles têm dois motivos para isso. Primeiro: medo da punição. Assim como os países ditatoriais (totalitários, se preferirem) têm suas prisões políticas e campos de concentração, da mesma forma, o Inferno que eu pinto contem Infernos mais profundos, que funcionam como “casas de correção”. O segundo motivo vem de uma certa espécie de fome. Imagino que os demônios podem, no sentido espiritual, devorar-se uns aos outros, e a nós também. Mesmo no contexto de vida humana, vemos a paixão dominar (quase mesmo devorar) uma pessoa à outra. Isto faz com que toda a vida emocional e intelectual do outro sejam a tal ponto apagadas que se reduzam a meros complementos da própria paixão. O indivíduo passa então a odiar como se o agravo fosse sobre si mesmo, devolver ofensas como se ele tivesse sido ofendido, enfim, tem sua individualidade totalmente dissolvida, assimilando desta forma a do objeto de sua paixão. Embora na Terra chamem isto de “amor”, imagino que passe longe do conceito de amor que Deus nos legou (ver 1 Co 13). No Inferno, identifico este tipo de sentimento com a fome; e neste Inferno, a fome é mais feroz e a satisfação desta mais viável.
Não havendo corpos, o espírito mais forte pode realmente absorver o mais fraco, deleitando-se assim de modo permanente na individualidade destruída do mais fraco. É por isso (suponho eu) que os diabos desejam conquistar espíritos humanos, bem como os espíritos uns dos outros. Também é por isto que Satanás anseia por todos os membros de seu exército e por todos que nascem de Eva e mesmo (ainda que pretensiosamente) pelos exércitos do Céu. O sonho que ele acalenta é o do dia em que tudo esteja em seu interior, de modo que qualquer um que disser “Eu” só possa dizer através dele. Poderíamos compará-lo à aranha inchada, em contraposição à bondade infinita segundo a qual Deus torna homens em servos, e estes servos em filhos, de modo a serem no final reunidos a Ele, não como “almas absorvidas”, mas como indivíduos aprimorados, desfrutadores de todo o deleite e prazer que a presença de Deus proporciona. Em síntese, Deus se compraz em pedir ao homem sua individualidade, mas tão logo o homem a cede, o maior prazer de Deus é devolvê-la aprimorada. Deus bate à porta, ao passo que o Diabo a arromba. O Espírito Santo enche, os diabos possuem. Assim mesmo, como acontece nos contos dos irmãos Grimm, estas coisas são apenas criações de fantasia e simbolismo. É o motivo pelo qual minha opinião pessoal sobre os diabos, mesmo precisando ser colocada, não tem maior importância para o leitor destas Cartas. Para os que participam de meus conceitos, meus diabos serão simples símbolos de uma realidade concreta; para outros, eles serão personificações abstratas, de forma que o livro terminará sendo uma alegoria. Fará assim pouca diferença o modo pelo qual você o leia, pois o propósito das Cartas não é fazer especulações em torno da vida diabólica, e sim lançar luzes, partindo de um novo ângulo (no caso, o do Inimigo) sobre a vida dos homens. Disseram-me que não sou o primeiro neste campo, e que alguém no século XVIII, escreveu cartas atribuindo-as ao diabo. Não tive oportunidade de ver estas cartas. Mas é verdade que devo algumas posições a outros autores. Fico satisfeito de reconhecer o débito com “Confissões de uma mulher bem intencionada” de autoria de McKenna. Os pontos concordantes podem não estar bem claros, mas é fácil verificar a mesma inversão moral: os pretos ficam brancos e os brancos ficam pretos e o humor que existe em falar através de uma “pessoa” totalmente desprovida de humor. Suponho que minha idéia relativa ao canibalismo espiritual, com toda a probabilidade deve alguma coisa às cenas horrendas de “absorção” que se encontram descritas nas “Viagens para Arcturus” de David Lindsay. Os nomes que escolhi para os demônios também têm dado margem para muitos comentários, todos eles errados. A verdade é que eu só quis dar-lhes um aspecto horripilante (como no sentido espiritual e intelectual eles tem) e - talvez isso se deva também a algumas idéias de Lindsay - usando para isso o som. Uma vez que um nome tivesse sido inventado, eu podia imaginar o que quisesse (sem nenhuma autoridade, concordo, mas nenhum homem a teria mais que eu) quanto às associações psicológicas que um nome feio pudesse dar de um ser de essência feia. Freqüentemente recebi solicitações e sugestões para escrever mais cartas, mas, por muitos anos, não tive a menor inclinação para fazer algo no sentido. Embora admita que me custou muito pouco esforço escrever as Cartas, também é fato que nada do que escrevi me trouxe tão pouco prazer. Foi fácil porque o trabalho de escrever cartas atribuindo-as a um diabo, uma vez escolhido o método, chega a ser mecânico, ou seja, o próprio método fornece os assuntos. Os assuntos se sucedem de tal forma que podemos escrever milhares de páginas, bastando para isso se deixar levar pela inspiração. Entretanto, embora seja fácil levar a mente a raciocinar diabolicamente, isso não proporciona prazer, ou pelo menos não por muito tempo. O esforço implicaria em uma estafa espiritual, pois o mundo em que eu tinha que me projetar enquanto sublimava a mente de Morcegão era todo pó, areia, fome, sede e cócegas. Todos os vestígios de beleza, frescura e verdade tinham de ser excluídos, e isso quase me sufocou antes mesmo de chegar ao fim. Outra coisa que me deixou aflito em tal livro foi ele não ser uma obra original a ponto de ninguém poder escrever algo semelhante.
Idealmente, a orientação prestada por Morcegão a Cupim deveria ser contrabalançada pelo conselho de um Arcanjo a um anjo protetor do paciente. Sem isto, o quadro da vida humana parece estar inclinado para o lado adversário de Deus. Entretanto, quem poderia suprir tal deficiência? Mesmo que alguma pessoa - que teria que ser muito melhor que eu - chegasse a escalar as alturas celestiais necessárias, qual seria o estilo que se teria que empregar? Porque este estilo teria de ser tão sublime quanto o assunto. Não bastaria ministrar conselhos, cada sentença teria de emanar o aroma celestial. E atualmente, mesmo que se pudesse escrever em prosa igual à de Trahrnes, não se lhe permitiria fazê-lo, uma vez que os ditames do funcionalismo tem inabilitado a literatura relativamente à metade das funções que lhe pertencem. (No fundo, todo ideal estilístico não só cita normas quanto a maneira como as coisas devem ser ditas, mas também relativamente as próprias coisas que se nos permite dizer). Então, à medida em que os anos decorriam e a experiência sufocante acarretada pela confecção das Cartas se enfraqueceu na memória, começaram a ocorrer-me algumas reflexões sobre pontos aqui e ali que demandavam a intervenção dum Morcegão. Estava resolvido a não escrever nenhuma outra carta. Surgiu-me vagamente a idéia de algo como uma preleção ou como um estudo-idéia ora esquecida, ora relembrada, mas que nunca chegava a ser escrita. E foi então que me chegou às mãos um convite do Saturday Evening Post que me fez por mãos à obra.
MAGDALENA COLLEGE, CAMBRIDGE
18 de Maio de 1960
CLIVE S. LEWIS
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O diabo a que me refiro aqui é a entidade psicológica resuldado do animismo síntetizado a partir do atavismo herdado das etapas anteriores da humanidade
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