Puro e Simples
Maio 22nd, 2006 / / por Walter Cruz
Terminei de ler, recentemente, o livro "Cristianismo puro e simples", do escritor irlandês, C. S. Lewis.
O livro é uma compilação de uma série de programas de rádio sobre a fé cristã, feitos por Lewis entre 1942 e 1944, durante o período da segunda guerra mundial. Mas poderiam ter sido feitas ontem.
Ele trata dos temas e ensinamentos básicos do cristianismo: a lei natural, a noção de um Criador, o pecado, o bem, o mal, o diabo, redenção, comportamento, amor, fé, moralidade, casamento, perdão, eternidade e trindade, entre outros.
Ao ler o livro, a impressão que tive é que nós, cristãos, temos sido roubados. Não um roubo doutrinário: embora algumas igrejas tenham extrapolado alguns desses conceitos, passando desde incoerências até a erros completos sobre alguns deles, não é desse roubo que falo. É do roubo estético.
Parece que os evangélicos escolheram a música (e em alguns casos, apenas um sub tipo de música ruim com chavões recorrentes) como sua arte (em detrimento do teatro, dança, poesia, literatura e todos os outros tipos de arte), deixando para a teologia a tarefa de traduzir verdades em (insípidas) palavras. Ou, para ser mais sucinto: qual foi a última vez em que você ouviu a doutrina da trindade explicada de uma forma bela? Você já ouviu a encarnação explicada de uma forma empolgante?
Fica uma ressalva: a beleza não é a verdade, nem toda verdade é bela. A redenção é bela, mas a queda não (mas para chegarmos à primeira, temos de passar pela segunda). Usamos a matemática para calcular nossos créditos e débitos no final do mês (cujos resultados não são sempre bonitos). Um especialista em computação gráfica usou a matemática como uma das ferramentas para dar vida ao leão Aslam, que a tantos emocionou na recente filmagem de "O leão, a feiticeira e o guarda-roupa".
Dito isso, deixo pequenas citações do livro:
"Não devemos nos preocupar com os irônicos que tentam ridicularizar a esperança cristã do 'Paraíso' dizendo que 'não querem passar a eternidade tocando harpa'. A resposta que devemos dar a essas pessoas é que, se elas não entendem os livros que são escritos para adultos, não deveriam palpitar sobre eles. Todas as imagens das Escrituras (as harpas, as coroas, o ouro etc.) são, obviamente, uma tentativa simbólica de expressar o inexprimível. (...) As pessoas que entendem esses símbolos literalmente poderiam pensar que, quando Cristo nos exortou a ser como as pombas, quis dizer que deveríamos botar ovos."
"Ele opera em nós de diversas maneiras: não apenas dentro dos limites do que chamamos 'vida religiosa', mas também por meio da natureza, do nosso próprio corpo, dos livros, e às vezes inclusive mediante experiências que poderiam ser vistas (na hora em que aconteceram) como anticristãs."
"Com quase toda certeza, Deus não está no tempo. A vida dele não consiste de momentos que são seguidos por outros momentos. Se um milhão de pessoas oram para Ele às dez e meia da noite, Ele não precisa ouvi-las todas no instantezinho que chamamos de dez e meia. Dez e meia, ou qualquer outro momento ocorrido desde a criação do mundo, é sempre o presente para Deus. Para dizê-lo de outra maneira, Deus tem toda a eternidade para ouvir a brevíssima oração de um piloto cujo avião está prestes a cair em chamas."
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13 comentários, 1 trackback
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paquerei, paquerei, mas não levei.
agora vou.
tomara Deus que eu tenha o dízimo da tua capacidade de compreender o q ele escreveu.
fico por aqui.
bom tê-lo de volta, walt.
ricardo.
Abs
Gabriele
Digo 'é' porque ele está vivo pra mim, e muito tenho aprendido com ele.
O próximo livro dele que vou adquirir é "Cartas de um diabo a seu aprendiz".
Assim como a Cláudia eu o conheci através dos escritos do Philip Yancey que muito o cita em seus livros em especial "Decepcionado com Deus" que considero um mapa do tesouro pra quem viveu ou vive situações de perda e frustração.
A Paz do Senhor para todos os irmãos.
Você sentiu falta da referência do nome completo dele por aqui Rafael? Volte! Abraço!
Que bom que você gostou de ver sobre Lewis aqui, Jair, falar um pouco dele e sobre seu legado é uma tarefa que me imponho com grande alegria! Abraço! O ser humano é o único ser em todo céu que morre uma parte de si, ficando com outra parte em forma essencial para mais tarde juntar a parte perdida e começar tudo de novo – ou seja, reencarnar.
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