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Hoje de manhã
Novembro 14th, 2007 / Enviar feedback » / por Walter Cruz
Hoje de manhã saí muito cedo,
Por ter acordado ainda mais cedo
E não ter nada que quisesse fazer...
Não sabia por caminho tomar
Mas o vento soprava forte, varria para um lado,
E segui o caminho para onde o vento me soprava nas costas.
Assim tem sido sempre a minha vida, e
assim quero que possa ser sempre —
Vou onde o vento me leva e não me
Sinto pensar.
(Alberto Caeiro)
Nascente
Dezembro 4th, 2006 / 6 feedbacks » / por Walter Cruz
Dia 30 de novembro é o dia do "aniversário de morte" de Fernando Pessoa. Para relembrar essa data, comprei um livro com a poesia de Alberto Caeiro.
Caeiro é considerado o mestre dos heterônimos de Fernando Pessoa. Segundo a Wikipédia, Caeiro: "ligado à natureza, despreza e repreende qualquer tipo de pensamento filosófico, afirmando que pensar retira a visão, não o permite ver o mundo tal qual ele lhe foi apresentado: simples e belo. Afirma que ao pensar, entra num mundo complexo e problemático, onde tudo é incerto e obscuro. Caeiro defende que o real é a própria exterioridade e que esta não necessita de subjetivismos repreendendo quaisquer pensamentos filosóficos, proclamando-se assim um antimetafísico, porque no seu entender a interpretação do real pela inteligência reduz as coisas a meros conceitos".
Escrevi até um pequeno poema - que não dispensa um pouco de subjetividade. Talvez seja um pouco mais ao estilo de Walt Whitman, ou talvez seja pura petulância minha afirmar qualquer coisa nesse sentido.
NASCENTE
Neste deserto
Árvores não nascidas aqui
Florescem
Neste deserto, eu
Nascido em outro lugar
Criado em outro lugar
Encontro
Nascente
Quando Vier a Primavera
Outubro 7th, 2005 / 13 feedbacks » / por Walter Cruz
Li a primeira estrofe deste poema num livro do Rubem Alves e achei lindo. Segue-o, completo:
Quando vier a Primavera,
Se eu já estiver morto,
As flores florirão da mesma maneira
E as árvores não serão menos verdes que na Primavera passada.
A realidade não precisa de mim.
Sinto uma alegria enorme
Ao pensar que a minha morte não tem importância nenhuma
Se soubesse que amanhã morria
E a Primavera era depois de amanhã,
Morreria contente, porque ela era depois de amanhã.
Se esse é o seu tempo, quando havia ela de vir senão no seu tempo?
Gosto que tudo seja real e que tudo esteja certo;
E gosto porque assim seria, mesmo que eu não gostasse.
Por isso, se morrer agora, morro contente,
Porque tudo é real e tudo está certo.
Podem rezar latim sobre o meu caixão, se quiserem.
Se quiserem, podem dançar e cantar à roda dele.
Não tenho preferências para quando já não puder ter preferências.
O que for, quando for, é que será o que é.





