Caio Fábio sempre foi uma figura atípica... Recentemente, em seu site, ele divulgou links onde se pode baixar e ouvir diversas de suas pregações. Além disso, na área de e-books do site, aos livretos que já estavam lá há um tempo, foram adicionados alguns livros da pesada - tanto em conteúdo como em tamanho. São eles: Confissões do Pastor (sua autobiografia), Nephilim(romance sobre os nephilins de gênesis 6) e Sem barganhas com Deus (em que ele demonstra - por meio de reflexão do livro de Eclesiastes - os males que a teologia moral da causa e efeito vem causando à igreja e ao homem). Além desses, o próprio conteúdo do livro Uma graça que poucos desejam está disponível em seu site. Vale a pena ler!
Disse Ângelus Silésius: "o olho através do qual Deus me vê é o mesmo olho através do qual eu vejo Deus. E assim Deus virou vingador que administra um inferno, inimigo da vida que ordena a morte, eunuco que ordena a abstinência, juiz que condena, carrasco que mata, banqueiro que executa débitos, inquisidor que acende fogueiras, guerreiro que mata os inimigos, igualzinho aos pintores que o pintaram".
Um dos pontos que os críticos da Bíblia tomam como base para é que o 'Deus do Antigo Testamento' é diferente do 'Deus do Novo Testamento'. No Antigo Testamento, Deus é retratado como sanguinário, assassino, mata os inimigos sem dó, apóia o seu povo eleito nas guerras. Já na figura de Jesus, Deus é retratado como bom, disposto a perdoar. Tanto que a figura de Deus nos Evangelhos é um pai de braços abertos procurando seus filhos.
O que esquecem é que tudo tem um contexto. E que para aquele povo, que vivia em guerras com os seus vizinhos, a idéia de um deus que fosse mais forte e que os ajudasse a vencer mais batalhas se encaixa perfeitamente. Não que essa idéia correspondesse ao que Deus de fato seja, mas que aos olhos deles, era assim que Deus era.
A mesma coisa acontece hoje em dia, mas com uma diferença: hoje, a maioria das 'batalhas' é financeira - a 'briga' por um emprego melhor, um salário melhor, luta contra as dívidas, o SPC, o SERASA e tudo o que envolve dinheiro. Logo, o deus que as pessoas vêem é o que dá 'prosperidade', que abre as portas dos empregos, que tira o negócio da falência. É o mesmo tipo de raciocínio, apenas mudando a nossa realidade.
Apenas lembrando algo que o Caio Fábio costuma dizer: Jesus é a chave para entendermos as Escrituras, e não o contrário.
Esse é um resumo que o Caio colocou de uma pregação. Eu estava lá. Acho que todo mundo devia ter estado também. O texto é meio longo, mas vale a pena. Lembro-me da primeira vez que li algo sobre, no livro do Rick Joyner, 'Havia duas Árvores no Jardim'. na época, havia uma admiração minha em relação a esse autor. Hoje, vejo que ele é um cara que conhece um pouco de psicologia e usa isso, às vezes soando como se fosse uma 'revelação dos céus'.
Quando Paulo diz em II Coríntios que receava que "assim como a serpente enganou a Eva", do mesmo modo fossem "as nossas mentes corrompidas", afastando-nos da pureza e simplicidade devidas a Cristo - ele fazia isto se relacionar à seqüência do texto, que mostra os "falsos apóstolos, ministros de justiça (disfarçados) e anjos de luz (travestidos); todos figuras representativas da serpente que enganou a Eva e seu marido; e que, agora, em seu disfarce apostolar, afastavam o povo da simplicidade e pureza do Evangelho; fosse com sua crença legalista e anti-graça (judaizantes); fosse mediante as perversões de evangelhos gnósticos, do Cristo esotérico, as quais eles tentavam "vender" para o povo.
Entretanto, ao dizer "Receio de vós que assim como a serpente enganou a Eva, assim também sejam corrompidas as vossas mentes" - o apóstolo abria uma nova dimensão para o Éden. Sim, o Éden da Mesopotâmia, geográfico, dava agora lugar ao Éden não lugarizado, e que existe e re-existe sempre outra vez no coração humano; posto que a arquitetura da alma humana é sempre um Éden.
Sim, um Éden no útero da mãe, de onde somos expulsos. Um Éden na infância, da qual somos expulsos. Um Éden na adolescência, de onde somos forçados a sair. Um Éden na juventude, de onde se tem que sair para virar adulto e arar a terra. Um Éden histórico, do qual sairemos não mais como expulsos, mas como elevados à Glória pela Graça de Cristo.
Ora, de um lado, todos estão fora do Éden; pois "pecamos à semelhança do pecado de Adão" - segundo Paulo, escrevendo aos Romanos. Por isto se diz que "todos pecaram" e que todos "igualmente carecem da Glória de Deus".
Assim, a humanidade nasce fora do Éden; pois, `em´ Adão e `como´ Adão - fomos tanto nele como também em nós mesmos, expulsos do Éden!
Todavia, a constituição da alma é sempre um Éden Psicológico. Sim, porque na alma, todos nós, temos Adão (animus), temos Eva (anima), temos a Árvore da Vida (a vocação para o eterno), temos a Árvore do Conhecimento do Bem de Mal (nossa vontade de independência de Deus), temos todas as arvores do Jardim (a liberdade ampla de boas escolhas de vida; sem proibições), temos a Voz de Deus, e também os sons sibilantes da serpente oportunista, e que faz seu "bolo de serpente" pronta para "o bote", justamente nos galhos da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Esta é a constituição arquetípica de nosso aparelho psíquico.
Ora, nesse sentido, o Éden é um lugar em nós; e do qual nos sentimos exilados pela culpa e pela transgressão essencial que nos faz já nascermos dando curiosos ouvidos às sibilações da serpente; a qual trabalha contra alma sempre com a proposta de um saber que nos faça prescindir, supostamente, de Deus.
Assim, a serpente invisível, e que existe como ente espiritual, ganha seu poder quando a serpente do aparelho psíquico repete para nós, conforme nossas pulsões interiores, as mesmas propostas feitas pela serpente do Éden Mesopotâmico.
Desse modo, mesmo expulso do Éden, carregamo-lo como realidade psíquica e arquetípica em nós mesmos!
Ora, assim como um Querubim foi posto no caminho para a Árvore da Vida, no Éden da Bíblia; assim também há um Querubim, no Éden da alma, e que nos impede o acesso autônomo à vida sem Deus; ou seja: à tentativa de viver eternamente sem Deus!
Daí vem todo o sentimento de idas e vindas que sentimos em nós mesmos; ora sentindo-nos no Éden; ora exilados dele - tudo isto sendo reeditado pelas experiências de culpa.
Paulo diz que os Coríntios estavam vivendo na Graça a experiência de uma Eva não seduzida; existindo num Éden pacificado pelo amor e pelo perdão de Deus.
Entretanto, ele avisa que como os mesmos elementos do Éden existem em nós, continua sempre a possibilidade de que as "serpentes" de fora (no caso deles os falsos apóstolos), pudessem encontrar o seu recíproco narcisista em nós; e, assim, sermos enganados; e, mais uma vez, expulsos do Éden da simplicidade e pureza devidas a Cristo.
É por tal razão que muitos cristãos confessam o tempo todo que são de Cristo, mas, apesar disto, vivem em estado de permanente angustia. Sim, a angustia dos exilados; e eles nem mesmo sabem a razão.
Digo isto porque somente a simplicidade e a pureza do Evangelho, vivido pela fé no Filho de Deus, é o que nos veste para que a existência no Éden interior não seja feita da culpa que se esconde por de trás das árvores do Jardim, mas da paz dos reconciliados e vestidos pelo Sangue do Cordeiro.
Entretanto, quem não reconhece que o cenário do Éden o habita, esse é sempre enganado, pensando que a serpente de fora é quem nos manipula, sem nos darmos conta que é a serpente que habita a constitutividade de nosso ser, o elemento psíquico que mais nos seduz à autonomia; ou a qualquer que seja o "outro evangelho".
Assim, arquetípica e simbolicamente, a Árvore da Vida é o Evangelho; as outras árvores do Jardim são toda nossa liberdade; a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal é nossa intrínseca vontade de ascender por conta própria; a serpente é a pulsão desse desejo; a anima é a via pela qual o desejo de transcendência se torna objeto de perversão; animus é a legitimação do ato psíquico da anima; e o Querubim é o impedimento divino que nos mantém sem a eternidade autônoma; pois, do contrário, seriamos fixados num estado de irredimibilidade.
Paulo, portanto, nos assegura que somente a pureza e a simplicidade do Evangelho de Cristo é o que pode nos fazer vencer as seduções externas e internas das serpentes!
Pense nisto!
Nele,
Caio
Link: http://www.caiofabio.com/Artigos/Art_Textos/Artigos.Textos.asp?id=1701&tp=7
Acabei de ler um texto do Caio Fábio que me fez lacrimejar (desculpem os emotivos, mas essa tem sido habitualmente e minha expressão máxima de emoção..)
Num certo sentido, ele meio que expressa coisas que eu sinto nesse exato instante.. Umas frustrações.. uns anseios...
Tem uns trechos logo ae.. O artigo completo está em http://www.caiofabio.com/novo/caiofabio/pagina_conteudo.asp?CodigoPagina=0024000006
Se possível, e se lhe é importante me compreender mais do que admirar as cores que eu uso no site, por favor, leia.
Paz e descanso dominical.
"Quando me converti me ensinaram a importância de ser sincero e de se evitar a aparência do mal. Então, conforme meu entendimento na época, cortei o cabelo que sempre tinha sido longo, mudei o estilo das roupas, vendi a motocicleta e comprei um carro, evitei achar coisas engraçadas muito engraçadas e, sobretudo, me abstive de qualquer conversa com mulheres que não acontecessem em lugares públicos, oficiais ou religiosos!"
"Comecei a me sentir cometendo um estelionato. Estava falsificando para o "bem" uma imagem comunitária que não correspondia aos fatos!"
"Eu nunca fui insincero. Amava a Jesus e ao Evangelho. Nunca brinquei de nada. E nunca assumi nada do que assumi sem sincera vontade se servir. Mas não basta ter sincera vontade de servir. Só serve se servir como verdade libertadora e afirmadara do ser para você, na presença de Deus!"