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O culto da emoção
Agosto 8th, 2007 / 1 Feedback » / por Walter Cruz
Walter Cruz

★★★★☆
No inÃcio de 2007, comprei em um sebo o livro "O culto da emoção", do filósofo francês Michel Lacroix. No livro, o filósofo argumenta sobre a existência de dois tipos de emoção: a emoção-choque e a emoção-contemplação. O segundo tipo de emoção é simbolizado por alguém que se emociona com um pôr-do-sol, ao ouvir uma música agravável, ao admirar uma pintura. Já o primeiro, é a emoção tipificada pela catarse coletiva, por um show pirotécnico de rock (ou qualquer show onde o foco não seja ouvir, mas sentir). O sÃmbolo da emoção-choque é o grito, da emoção-contemplação é o suspiro. A partir dessas premissas, o autor faz o seguinte questionamento: "o indivÃduo moderno emociona-se muito, mas será que sabe sentir?".
O livro mostra como, durante muito tempo, a emoção foi relegada a uma segunda categoria, e como, no último século, ela foi conquistando um lugar maior dentro da sociedade. Mas, nessa busca por libertação das emoções, temos caÃdo em outro extremo, o das emoções-choque. O homem ideal de nossa época já não seria mais o homo sapiens, mas, sim, o homo sentiens. Sua terapia não é verbal, mas não-verbal: grito primal, o renascimento e outras (terapias alternativas com um apelo mais direto à emoção). Se possÃvel, ele viaja o mundo, não para conhecê-lo, mas para arrancar dele a maior quantidade de adrenalina possÃvel. Seu modelo é o xamã: o sacerdote feiticeiro que em cerimônias sagradas usa a dança, tambores e drogas para entrar em estados alterados de consciência, e que é o curandeiro da tribo. Esse é outro paralelo que o autor traça: embora envolvidos em raves e superestimulados, as pessoas de hoje sentem uma compulsão por tornar o mundo um lugar melhor.
Uma coisa que achei um pouco chata no livro foi que ele reserva um enorme espaço para os sintomas do problema e o problema, mas pouco para as possÃveis soluções. Mas quais seriam elas? Um retorno à s emoções simples, um mergulho dentro de si mesmo, uma rejeição à super-excitação que toma conta de nossa sociedade hoje em dia. Se tem alguma coisa que depõe contra esse ensaio do filósofo francês, é o pequeno espaço dedicado à s soluções. Outro pequeno contra é que os exemplos todos são um pouco franceses (ou europeus) demais, mas é inegável que a situação descrita nesse livro é de certa forma universal.
Brincando com as palavras
Maio 21st, 2004 / 10 feedbacks » / por Walter Cruz
Ontem eu acabei me deparei com um livro terrivelmente encantador. Gosto de brincar com as palavras, e gosto ainda mais de quem realmente sabe como fazer isso. Pois bem, ontem , no Shopping Tatuapé me deparei com o livro "A Dama, Seu Amado e Seu Senhor", de T.D. Jakes, da Editora Mundo Cristão. Poesia pura. Pirei mesmo.
Apenas dei uma folheada, já que não posso lê-lo no momento. Mas tem um trecho muito interessante que eu gostaria de citar.
O verdadeiro desafio de todos nós é encontrar o equilibrio entre o martÃrio e o narcisismo. A arte de evitar os extremos é delineada na tela da maturidade e pintada com as pinceladas abstratas de inúmeras experiências. O equilÃbrio é tão vital para você como para o profissional que faz um vôo no trapézio.
Não devemos nos autoconsumir, mas compreender que existe algo entre o egoÃsmo e a negação de si mesmo. Não se trata de um clangor de clarim para equilibrar o coração das mulheres que permitiram que os problemas alheios se tornassem mais importantes do que os seus. Um clamor para reconhecer seus pontos fortes antes de se tornarem perpétuos lÃderes de torcida para outros e nunca para si mesmas.
Aliás, essa questão todo para mim é interessantÃssima, e uma das coisas que mais me chama a atenção. Enquanto que uns vivem um cristianismo no ápice ta teologia do ego - venha para Cristo e seja feliz, tenha um carrão, uma namorada e tudo o mais - outros vivem naquilo que eu chamo particularmente de 'teologia da desgraça'- venha pra Cristo e tenha uma vida terrivelmente triste. Você vai ter que abrir mão de tudo, de tudo o que você gosta para agradá-lo e tentar receber algo da graça dele.
Não em entendam mal. Sei o quanto é importante abrir mão, renunciar. Mas, no que eu entendo (e alguém por favor, me corrija se eu estiver enganado), o sofrimento por si próprio não é uma virtude.
Entendem ? Acho que não... Leiam comigo:
"Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez;" (Filipenses 4:12 RA)
Esse texto é clássico ! (Ainda mais o versÃculo a seguir que a maioria das pessoas tira do contexto para dizer o que ele nunca quis dizer..).
Não sei .. Não acho certo pregarmos essa teologia da desgraça. Paulo sabia tanto estar humilhado como estar honrado. Não considerava uma humilhação ser honrado, nem uma honra ser humilhado !
Precisamos urgentemente redescobrir como sermos cristãos!
Deus abençoe.
P.s: A capa do livro é essa: 





