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Zeitgeist

Zeitgeist é uma expressão alemã que se refere ao  "espírito do tempo" e/ou "o espírito da época." A palavra Zeitgeist é usada para descrever o conjunto do clima cultural, intelectual, ético, espiritual, e/ou político dentro de uma nação ou mesmo dentro de grupos específicos, junto com a ambiência, moralidade e direção sociocultural ou temperamento de uma era.

Definição adaptada da wikipedia.

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Fetichismo Tecnológico

Jodi Dean analisou recentemente os novos aspectos acrescidos ao "fetichismo tecnológico" com o advento e a propagação da comunicação eletrônica e das "redes" eletronicamente midiadas. Ela sugere que "os revolucionários conectados" poderiam agora "imaginar que estavam mudando o mundo ao mesmo tempo confortados pelo fato de que nada mudaria realmente (ou,na melhor das hipóteses, poderiam conseguir que as gravadoras baixassem os preços dos CDs)".

O fetiche tecnológico "é político" para nós, possibilitando-nos prosseguir o resto de nossas vidas aliviados da culpa de talvez não estarmos fazendo nossa parte e seguros na crença de que somos, afinal, cidadãos informados e engajados. O paradoxo do fetiche tecnológico é que a tecnologia que age em nosso favor realmente nos habilita a permanecer politicamente passivos. Não temos de assumir a responsabilidade política porque, uma vez mais, a tecnologia faz isso por nós... A "dose" nos permite pensar que tudo que precisamos é universalizar determinada tecnologia, e então teremos uma ordem social democrática ou harmoniosa.

Zygmunt Bauman, em Medo Líquido (Jorge Zahar Editor)

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O culto da emoção

8 de Agosto de 2007 por

Walter Cruz


photo of 'O culto da Emoção'

★★★★☆

No início de 2007, comprei em um sebo o livro "O culto da emoção", do filósofo francês Michel Lacroix. No livro, o filósofo argumenta sobre a existência de dois tipos de emoção: a emoção-choque e a emoção-contemplação. O segundo tipo de emoção é simbolizado por alguém que se emociona com um pôr-do-sol, ao ouvir uma música agravável, ao admirar uma pintura. Já o primeiro, é a emoção tipificada pela catarse coletiva, por um show pirotécnico de rock (ou qualquer show onde o foco não seja ouvir, mas sentir). O símbolo da emoção-choque é o grito, da emoção-contemplação é o suspiro. A partir dessas premissas, o autor faz o seguinte questionamento: "o indivíduo moderno emociona-se muito, mas será que sabe sentir?".

O livro mostra como, durante muito tempo, a emoção foi relegada a uma segunda categoria, e como, no último século, ela foi conquistando um lugar maior dentro da sociedade. Mas, nessa busca por libertação das emoções, temos caído em outro extremo, o das emoções-choque. O homem ideal de nossa época já não seria mais o homo sapiens, mas, sim, o homo sentiens. Sua terapia não é verbal, mas não-verbal: grito primal, o renascimento e outras (terapias alternativas com um apelo mais direto à emoção). Se possível, ele viaja o mundo, não para conhecê-lo, mas para arrancar dele a maior quantidade de adrenalina possível. Seu modelo é o xamã: o sacerdote feiticeiro que em cerimônias sagradas usa a dança, tambores e drogas para entrar em estados alterados de consciência, e que é o curandeiro da tribo. Esse é outro paralelo que o autor traça: embora envolvidos em raves e superestimulados, as pessoas de hoje sentem uma compulsão por tornar o mundo um lugar melhor.

Uma coisa que achei um pouco chata no livro foi que ele reserva um enorme espaço para os sintomas do problema e o problema, mas pouco para as possíveis soluções. Mas quais seriam elas? Um retorno às emoções simples, um mergulho dentro de si mesmo, uma rejeição à super-excitação que toma conta de nossa sociedade hoje em dia. Se tem alguma coisa que depõe contra esse ensaio do filósofo francês, é o pequeno espaço dedicado às soluções. Outro pequeno contra é que os exemplos todos são um pouco franceses (ou europeus) demais, mas é inegável que a situação descrita nesse livro é de certa forma universal.

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Está tudo no olhar

Disse Ângelus Silésius: "o olho através do qual Deus me vê é o mesmo olho através do qual eu vejo Deus. E assim Deus virou vingador que administra um inferno, inimigo da vida que ordena a morte, eunuco que ordena a abstinência, juiz que condena, carrasco que mata, banqueiro que executa débitos, inquisidor que acende fogueiras, guerreiro que mata os inimigos, igualzinho aos pintores que o pintaram".

Um dos pontos que os críticos da Bíblia tomam como base para é que o 'Deus do Antigo Testamento' é diferente do 'Deus do Novo Testamento'. No Antigo Testamento, Deus é retratado como sanguinário, assassino, mata os inimigos sem dó, apóia o seu povo eleito nas guerras. Já na figura de Jesus, Deus é retratado como bom, disposto a perdoar. Tanto que a figura de Deus nos Evangelhos é um pai de braços abertos procurando seus filhos.

O que esquecem é que tudo tem um contexto. E que para aquele povo, que vivia em guerras com os seus vizinhos, a idéia de um deus que fosse mais forte e que os ajudasse a vencer mais batalhas se encaixa perfeitamente. Não que essa idéia correspondesse ao que Deus de fato seja, mas que aos olhos deles, era assim que Deus era.

A mesma coisa acontece hoje em dia, mas com uma diferença: hoje, a maioria das 'batalhas' é financeira - a 'briga' por um emprego melhor, um salário melhor, luta contra as dívidas, o SPC, o SERASA e tudo o que envolve dinheiro. Logo, o deus que as pessoas vêem é o que dá 'prosperidade', que abre as portas dos empregos, que tira o negócio da falência. É o mesmo tipo de raciocínio, apenas mudando a nossa realidade.

Apenas lembrando algo que o Caio Fábio costuma dizer: Jesus é a chave para entendermos as Escrituras, e não o contrário.

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Religião rima com materialismo

Na edição de sábado (19) do Correio Braziliense, saiu uma reportagem interessante. Existe um levantamento chamado Pesquisa Mundial de Valores, feito periodicamente em oitenta países, e que no Brasil, no último ano, foi coordenado pela Universidade de Brasília (UnB). A pesquisa foi realizada entre os meses de novembro e dezembro, quando foram aplicados 1500 questionários com 259 questões sobre os mais diversos temas. Uma constatação da pesquisa: embora mais religiosas, as pessoas estão mais materialistas e individualistas. Leia um trecho da reportagem:

Enquanto o engajamento religioso aumenta, o motivo da fé se transforma. Se antes as instituições procuravam responder questões fundamentais, como a vida após a morte ou a origem do homem, hoje têm um papel muito mais pragmático. "A religião está sendo instrumentalizada para resolver o aqui e o agora. Virou uma forma de viver nesse mundo cão, de violência, de competição, de desemprego (...) As igrejas se transformaram em serviço de auto-ajuda, que não trabalha com longa duração e nõ agrega as pessoas. E isso é preocupante, porque a religião, que sempre ajudou a formar laços comunitários, hoje está ajudando a fortalezer o individualismo", observa Sérgio Coutinho, professor de ciência da religião na Universidade Católica de Brasília.

Alguns números:

Item 1990 2006
Consideram a família muito importante 91% 86%
Consideram as amizades muito importantes 57% 37%
Freqüentam periodicamente atividades religosas 14% 22%

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