Virtude
Outubro 13th, 2009 / / por Walter Cruz
A diferença real entre o Paganismo e o Cristianismo é perfeitamente resumida nas diferenças entre as virtudes pagãs ou naturais e aquelas virtudes do Cristianismo que a Igreja de Roma chama de virtudes da graça. As virtudes pagãs ou racionais são coisas como a justiça e a temperança, e o Cristianismo as adotou. As três virtudes mÃsticas que o Cristianismo não adotou, mas inventou, são a fé, a esperança e o amor. Muita retórica Cristã barata e tola poderia ser feita sobre essas palavras, mas eu gostaria de me limitar a dois fatos que são evidentes sobre elas. O primeiro fato (...) evidente, eu diria, é que as virtudes pagãs como justiça e temperança são as virtudes tristes, e as virtudes mÃsticas da fé, esperança e amor são as virtudes alegres e exuberantes. E o segundo fato evidente, o qual é ainda mais evidente que o primeiro, é que as virtudes pagãs são as virtudes razoáveis, e as virtudes Cristãs da fé, esperança e amor são em sua essência tão não razoáveis quanto podem ser.
Como a expressão "não razoável" está aberta a interpretações, podemos dizer mais apropriadamente que cada uma das virtudes Cristãs ou mÃsticas incluem um paradoxo em sua própria natureza, e isso não é verdadeiro em nenhuma das virtudes tipicamente pagãs ou racionalistas. A Justiça consiste em encontrar o que é devido a um homem é dá-lo. A Temperança consiste em encontrar o limite apropriado de uma indulgência em particular e aderir a ele. Mas o amor significa perdoar o imperdoável, senão deixa de ser virtude. A esperança significa esperar mesmo além da esperança, ou deixa de ser virtude. E fé significa crer no inacreditável, do contrário deixa de ser virtude.
G.K. Chesterton
Retirado de: http://www.gutenberg.org/files/470/470-h/470-h.htm
Tradução: Walter Cruz
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2 comentários
Gostei do "Por que você não quer mais ir a igreja?". Mas achei-o um pouco cansativo/repetitivo.





